Efeitos sobre o desenvolvimento infantil com a exposição à metilfenidato

Nathalia Alfieri Crossi, Fabiana Gonzalez Mendes

Resumo


O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é um distúrbio do neurodesenvolvimento caracterizado por desatenção, impulsividade e hiperatividade, frequentemente associado a alterações dopaminérgicas no córtex pré-frontal e nos núcleos da base. O metilfenidato (MPH) é o psicoestimulante atuando por meio da inibição da recaptação de dopamina e noradrenalina, o que promove melhora da atenção, do controle inibitório e das funções executivas. Este estudo teve como objetivo revisar as evidências científicas sobre os efeitos do uso prolongado do MPH no desenvolvimento infantil. Trata-se de uma revisão bibliográfica realizada na base PubMed, incluindo artigos publicados nos últimos 50 anos, em inglês e português, que abordam os efeitos neurológicos e hormonais do fármaco em crianças com TDAH. Os resultados demonstram que, embora o MPH apresente eficácia a curto prazo, seu uso contínuo pode estar associado a efeitos adversos, como insônia, perda de apetite, discreta elevação da pressão arterial e frequência cardíaca, além de possível interferência no crescimento e no desenvolvimento puberal. Estudos em modelos animais sugerem alterações no eixo reprodutivo e no metabolismo hormonal, embora evidências clínicas em humanos ainda sejam limitadas. Conclui-se que, apesar dos benefícios terapêuticos, o uso do MPH deve ser criterioso, com monitoramento clínico contínuo e associação a estratégias não farmacológicas, como intervenções psicossociais e cognitivas. São necessários estudos longitudinais adicionais para elucidar seus efeitos a longo prazo sobre o neurodesenvolvimento infantil.

 

Palavra-chave:

TDAH; metilfenidato; desenvolvimento infantil; dopamina; efeitos a longo prazo.


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