A ATUAÇÃO DO BIOMÉDICO NO CUIDADO DE PACIENTES COM TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA: DESAFIOS E ESTRATÉGIAS EM PROCEDIMENTOS DE COLETA DE MATERIAL BIOLÓGICO

Fabrizia Ramos Chaves, Frederico Kauffmann Barbosa

Resumo


Introdução: O Transtorno do Espectro Autista (TEA) impõe desafios significativos aos sistemas de saúde, exigindo abordagens inclusivas e adaptadas que considerem a complexidade neurobiológica e as particularidades comportamentais e sensoriais desses indivíduos. Este estudo objetivou analisar a atuação do biomédico com pacientes autistas, com ênfase na assistência direta, especialmente na coleta de material biológico, identificando os desafios associados e propondo estratégias para um atendimento mais eficaz e humanizado. Metodologia: Caracterizada como uma revisão bibliográfica de natureza qualitativa e exploratória, a pesquisa consultou artigos científicos publicados entre os anos de 2018 e 2024. As bases de dados utilizadas foram Scielo, PubMed e LILACS, empregando descritores como "Transtorno do Espectro Autista", "Biomedicina", "Coleta de Sangue", "Atendimento Humanizado" e "Acessibilidade em Saúde". Foram incluídos artigos em português e inglês que abordassem diretamente a atuação biomédica e os cuidados específicos com pacientes autistas em contextos clínicos ou laboratoriais. Resultados e Discussão: Os achados evidenciaram que as características do TEA, tais como déficits na comunicação social, comportamentos repetitivos e hipersensibilidades sensoriais, impactam profundamente procedimentos rotineiros como a coleta de sangue, gerando estresse e desafios tanto para o paciente quanto para o profissional. A análise destacou a necessidade premente de estratégias adaptativas, incluindo a criação de ambientes controlados com redução de estímulos sensoriais, a utilização de comunicação visual e simplificada, e a individualização do cuidado. A formação do biomédico requer aprimoramento em neurodiversidade, capacitação ética e um entendimento crítico dos níveis de suporte do TEA segundo o DSM-5, visando evitar estigmas e promover a valorização da individualidade. Embora o Brasil possua um arcabouço legal robusto (e.g., Lei Berenice Piana e Lei Brasileira de Inclusão), persistem lacunas significativas na implementação prática dessas diretrizes, especialmente em serviços públicos. Inovações tecnológicas, como a realidade virtual, oferecem potencial promissor, mas enfrentam disparidades regionais de acesso. Conclusão: Conclui-se que a atuação do biomédico com pacientes autistas transcende a mera técnica laboratorial, demandando sensibilidade, preparo contínuo e um profundo compromisso ético. A incorporação dos princípios da neurodiversidade na formação e prática biomédica é fundamental para garantir o direito à saúde dessas pessoas, promovendo um cuidado inclusivo, humanizado e biopsicossocial que respeite a dignidade e o bem-estar dos indivíduos neurodivergentes.

Palavra-chave: Transtorno do Espectro Autista; Biomedicina; Coleta de Sangue; Atendimento Humanizado; Neurodiversidade


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